PM condenado por estupro e morte de estudante foi promovido duas vezes e recebeu quase R$ 600 mil em salários durante a prisão

  • 17/03/2026
(Foto: Reprodução)
Polícia Militar Pedro Inácio Araújo de Maria, condenado pelo assassinato de Zaira Cruz Reprodução/Inter TV Cabugi O sargento da Polícia Militar Pedro Inácio Araújo de Maria, condenado pela morte da estudante Zaira Cruz, de 22 anos, foi promovido duas vezes e continuou recebendo salários normalmente durante os cerca de sete anos em que esteve preso sob custódia da corporação no Rio Grande do Norte. Nesse período, o salário do militar mais que dobrou, saindo de pouco mais de R$ 4 mil em março de 2019 para mais de R$ 10,6 mil no último mês de fevereiro, de acordo com os dados do Portal da Transparência. 📳 Clique aqui para seguir o canal do g1 RN no WhatsApp Considerando-se o vencimento do mês de março de cada ano multiplicado por 13 (salários mensais de 13º), o servidor recebeu quase R$ 600 mil em salários brutos (sem desconto de previdência) ao longo desse tempo. Quando foi preso, o militar era cabo da Polícia Militar, mas foi promovido a terceiro sargento e depois a segundo sargento enquanto aguardava julgamento. As promoções foram confirmadas pelo comandante geral da Polícia Militar, coronel Alarico Azevedo, em entrevista à Inter TV Cabugi após a repercussão da progressão de pena do policial para o regime semiaberto com uso de tornozeleira. Pedro Inácio é condenado a 20 anos de prisão pela morte de Zaira Cruz Pedro Inácio foi condenado em dezembro de 2025 a 20 anos de prisão em regime fechado por estuprar e matar a jovem durante o Carnaval de 2019, em Caicó, na região Seridó potiguar. Promoções durante período como réu Segundo o comandante, o policial era cabo e havia concluído o curso de formação de sargento em 2018, antes do crime. Mesmo preso desde 2019, ele foi promovido a terceiro-sargento e, posteriormente, a segundo-sargento enquanto aguardava julgamento. De acordo com a corporação, isso ocorreu porque, à época, ele ainda não tinha condenação definitiva. “A legislação militar permite que o policial, mesmo sub judice, sem condenação transitada em julgado, possa ser promovido”, explicou o coronel. Durante todo esse período, o policial permaneceu vinculado à Polícia Militar, o que garantiu o pagamento regular dos salários. Quartel do Comando Geral da Polícia Militar do Rio Grande do Norte Sérgio Henrique Santos/Inter TV Cabugi Desde a prisão, em 2019, Pedro Inácio ficou sob custódia da própria Polícia Militar, inicialmente em um quartel na Zona Leste de Natal e, nos últimos anos, na Companhia Independente de Policiamento e Guarda, na Zona Norte da capital, unidade destinada a policiais militares presos. Segundo as investigações, ele mantinha um relacionamento com a vítima e a estuprou duas vezes antes de matá-la por estrangulamento. Conselho vai analisar situação do servidor na PM Nesta semana, a Justiça autorizou a progressão de pena para o regime semiaberto. Com isso, o policial passou a cumprir pena em casa, com uso de tornozeleira eletrônica e restrição de horário para sair. Apesar da mudança de regime, ele continua nos quadros da Polícia Militar. De acordo com o comandante, a corporação vai instaurar um conselho de disciplina para avaliar a permanência do policial na instituição. A comissão deve analisar a conduta do militar e decidir se ele será excluído da corporação. O prazo para conclusão é de cerca de 40 a 45 dias. Situação funcional Enquanto o processo administrativo estiver em andamento, Pedro Inácio ficará à disposição da Polícia Militar e deverá cumprir expediente em local a ser definido pela corporação, podendo ser convocado a qualquer momento. Segundo o comandante, a exclusão de um policial não pode ocorrer de forma imediata sem o devido processo legal interno, sob risco de nulidade do ato. Casos como o dele, de condenação superior a dois anos, no entanto, costumam resultar na saída da corporação. “A maioria dos casos, praticamente todos, acabam com o entendimento de que o militar é indigno de permanecer na instituição”, afirmou o coronel. Veja os vídeos mais assistidos no g1 RN

FONTE: https://g1.globo.com/rn/rio-grande-do-norte/noticia/2026/03/17/pm-condenado-por-estupro-e-morte-de-estudante-foi-promovido-duas-vezes-e-recebeu-salarios-durante-a-prisao.ghtml


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